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Avanços no congelamento de óvulos
Ellen Cristie
Ph.D em embriologia e coordenador do Serviço de Criobiologia
do Instituto Tylo-Galileo, em Nova Jersey, nos Estados Unidos,
James Stachecki é considerado uma
das autoridades da criobiologia mundial, ciência que
estuda o congelamento de células e tecidos vivos. Sua
vinda a Belo Horizonte foi o primeiro passo para uma parceria
com a Clínica Pró-Criar Mater Dei e o desenvolvimento
de uma nova técnica em reprodução humana,
que permite às mulheres em vias de perder a capacidade
reprodutiva, devido a um câncer ou um procedimento cirúrgico,
serem mães, uma vez que poderão armazenar seus
óvulos antes do tratamento. Em entrevista ao caderno
BEM VIVER, Stachecki fala sobre a parceria internacional e
outras técnicas de congelamento que estão sendo
desenvolvidas.
ESTADO DE MINAS – O que é criobiologia?
Quando ela surgiu no mundo?
James Stachecki – Criobiologia é a ciência
que estuda a biologia em baixas temperaturas, ou seja, como
os seres ou unidades vivas respondem à diminuição
de temperatura. Esses estudos se iniciaram por volta de 1800,
mas foi descoberta do glicerol como crioprotetor, utilizado
para congelamento de sêmem, que popularizou, este método
em 1949. Essa técnica pôde, então, ser
introduzida em tratamentos de reprodução assistida,
tornando possível a criopreservação de
gametas e embriões humanos.
ESTADO DE MINAS – O que é e a partir
de quando vai funcionar a parceria da Clínica Pró-Criar
Mater Dei com o embriologista James Stachecki?
James Stachecki – O objetivo dessa parceria é
iniciar uma colaboração internacional para estudos
experimentais, principalmente na área de congelamento
de óvulos e de blastocistos, tanto em animais de experimentação
quanto em humanos. Os trabalhos devem começar no início
do próximo ano. Com relação ao congelamento
de óvulos humanos, nosso maior objetivo é tornar
a técnica clinicamente viável, a curto prazo.
Estamos obtendo ótimos resultados. As taxas de sobrevida
após o descongelamento de óvulos humanos são
de 94% com posterior taxa de fertilização de
75%.
ESTADO DE MINAS – Já existe algum método
de congelamento de óvulos?
James Stachecki – Sim. Diversas clínicas em todo
o mundo já tentam o desenvolvimento da técnica
de congelamento de óvulos, contudo, os resultados ainda
questionáveis. O que tem sido feito são pequenas
variações da técnica que já é
utilizada para o congelamento de embriões e sabemos
que isso não é o suficiente. Descobrimos que
certas substâncias como, por exemplo, o sódio,
são danosas ao óvulo, e por isso desenvolvemos
um meio de cultivo no qual substituímos o sódio
por outra substância, chamada colina. Mas isso não
é o único fator que faz a diferença.
Para termos bons resultados, tivemos que realizar uma completa
modificação em todo o protocolo de congelamento
e descongelamento e não só uma adaptação
dos métodos já existentes.
ESTADO DE MINAS – Quais são as vantagens
da técnica? Por que é importante congelar óvulos?
James Stachecki – A técnica de congelamento de
óvulos alivia as questões éticas e religiosas
relativas ao congelamento de embriões humanos. Pacientes
que, por algum, necessitam retirar os ovários ou passar
por quimioterapia ou radioterapia podem ter seus óvulos
retirados e congelados antes de tais procedimentos e, então,
poder engravidar após a definição do
quadro. O congelamento de óvulos torna muito fácil
a organização de ciclos que envolvem a doação
de óvulos, com a possibilidade de, no futuro, desenvolvemos
um banco de óvulos como já existente banco de
sêmen. Essa técnica também pode possibilitar
às mulheres adiar a maternidade, podendo ainda ter
sua fertilidade preservada.
ESTADO DE MINAS – Quais são os resultados
atuais?
James Stachecki – Os resultados variam de acordo com
a técnica empregada. Estamos tendo ótimos resultados
com o nosso protocologo e meio de congelamento, desenvolvidos
em nosso laboratório de pesquisa. Mas sabemos que ainda
há muito o que ser feito para que possamos oferecer
essa técnica como uma opção rotineira
a todos os casais.
ESTADO DE MINAS – O tratamento já é
acessível a todos os casais? Se não, em quanto
tempo essa parceria poderá oferecer a técnica
como rotina no Brasil?
James Stachecki – Essa técnica ainda não
será aos casais de forma rotineira. A boa notícia
é que é muito promissora e já apresenta
bons resultados. Sabemos que estamos no caminho certo. Nossas
expectativas são de que em torno de um a três
anos possamos oferecer a técnica de forma rotineira
a todos os casais, como parte integrante do processo de fertilização
in vitro.
ESTADO DE MINAS – Já existem bebês
nascidos com a utilização de óvulos congelados
através desta técnica?
James Stachecki – Existem cerca de 100 crianças
nascidas, em todo o mundo, após o congelamento, descongelamento
e fertilização dos óvulos. Utilizando
técnicas em que os meios d :)e congelamento têm
baixa concentração de sódio, existem
apenas cerca de 15 bebês nascidos. Muitas diferentes
técnicas já foram testadas, mas os meios de
congelamento desenvolvidos por nós, que apresentam
uma total substituição do sódio pela
colina, bem como a mudança radical dos protocolos de
congelamento de descongelamento, fazem que acreditemos estar
no caminho certo.
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