Eu sou Ana Elisa n. G., casada, e há sete anos venho tentando engravidar. Engravidei duas vezes e tive abortos espontâneos nessas duas vezes, ambos com um mês de gravidez.
De lá para cá não consegui engravidar mais, fiz vários exames, fui a vários médicos, e só fui descobrir em maio de 2002 que tinha uma obstrução tubária, não podendo engravidar por métodos naturais. Então optei por fazer uma Fertilização in Vitro na clínica Pró-Criar.
Comecei em julho de 2002, e confesso que achei que fosse ser algo mais fácil, mas não é. É um tratamento que pode ser longo e doloroso. Você toma uma série de injeções que mexem com todo o seu organismo e sistema nervoso.
Ficamos pessoas muito frágeis e sensíveis. É preciso muita calma, e a ajuda do seu companheiro é essencial, talvez o mais importante, para que o tratamento não desestruture o seu relacionamento.
Depois vem a retirada dos óvulos, que é feita no hospital, não é demorado, mas tem que tomar anestesia e achei essa a pior parte.
Nessa primeira vez, consegui 30 óvulos, fecundaram 25 e 23 estavam perfeitos. Depois de 2 ou 3 dias é feita a transferência dos embriões para o útero. Você fica meio insegura e a cada dia que passa mais ansiosa até o dia do exame. Nessa primeira vez, a minha regra desceu antes mesmo do dia do exame. Aí é doloroso, pois a barriga incha e os seios também, você se sente grávida, mas não está.
Depois tive o descanso de um mês, o que acho muito importante para que se recuperarem os ânimos. Em outubro comecei novamente, e como eu ainda tinha óvulos fecundados e que foram congelados, tive que só tomar medicações via oral. Depois de alguns dias voltei para fazer a segunda transferência. Tinham ficado 18 óvulos congelados, e por azar a maioria não estavam bons para fazer a transferência, mas ficaram 4 bons e foi feita essa tranferência. Fiquei ansiosa novamente. Dessa vez, fiz o exame, e pelo fato de a regra não ter descido pensei que estivesse dado certo. Mas ainda não foi, deu negativo.
Fiquei muito nervosa. Preferi deixar passar um tempo, pois estava no fim do ano, precisava de férias. Esperei passar natal e carnaval. Comecei logo depois, no final de março. Dessa vez foi tudo tão perfeito, pois fiz a retirada dos óvulos no dia 18 de abril, sexta-feira da paixão para os católicos. Consegui dessa vez 32 óvulos, e 26 fecundados e bons para tranferência. Fiz a terceira transferência no domingo de páscoa, o dia da ressureição de cristo. Achei que fosse essa a minha vez, e também não foi.
A minha regra desceu também antes do dia do exame. Confesso que fiquei desesperada, chorei muito, até porque chorar nessas situações se torna algo normal. Disse que tinha perdido as esperanças e que daqui pra frente, faria tantas quantas vezes tivesse condições financeiras, mas esperança eu não tinha mais. Descansei mais um mês, e comecei novamente em início de junho/2003, tomando aquelas medicações via oral.
Tiveram dias em que achei que fosse entrar em depressão, pois fiquei muito nervosa, chorava durante a noite, ao deitar, escondida do meu esposo, pois ele é maravilhoso, me dá a maior força, me acompanha em tudo, por isso, eu não queria que ele me visse tão desesperada. Sei que não posso reclamar de nada, pois ainda tenho pelo menos condições de tentar, e tenho um marido que é a minha fortaleza. Mas ainda assim é muito difícil.
Mas não é que depois que fiz a transferência, já pela quarta vez, reapareceu a minha esperança. E junto com ela veio o resultado positivo. Foi sem dúvida o dia mais feliz da minha vida. Logo no início tive um susto, tive um sangramento, mas ficou tudo bem. Estou muito feliz e percebi que para deus nada é impossível.
Ana Elisa



