O desenvolvimento da ICSI permitiu o tratamento eficaz da infertilidade causada por alterações seminais severas. Essa técnica consiste na introdução de um espermatozóide vivo no interior do oócito, ultrapassando barreiras naturais (zona pelúcida e oolema) e depositando o material genético diretamente no ooplasma. Através da ICSI, casais com infertilidade de causa masculina obtêm taxas de sucesso semelhantes í s obtidas através da FIV convencional em casais sem fator masculino de infertilidade.
A ICSI tem se mostrado um procedimento seguro. Estudos recentes demonstraram que crianças nascidas através de ICSI, FIV convencional ou concepção natural apresentam desenvolvimentos semelhantes. Entretanto, a incidência de anomalias dos cromossomos sexuais parece ser mais elevada entre crianças concebidas por ICSI, provavelmente devido í maior incidência de aneuploidias em espermatozóides de homens com alterações seminais severas, especialmente aquelas relacionadas aos cromossomos sexuais (X e Y).
A presença de alterações genéticas em homens com azoospermia ou oligozoospermia severa é freqüente e deve ser pesquisada. A agenesia bilateral dos vasos deferentes é causa de azoospermia e está associada a mutações no gene da fibrose cística. A presença de microdeleções no cromossomo Y ocorre em até 15% dos pacientes com oligozoospermia severa ou azoospermia não obstrutiva e são passadas aos descendentes do sexo masculino. A síndrome de Klinefelter deve ser pesquisada nas mesmas situações, podendo ser transmitida à prole.




