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São Paulo, terça-feira, 20 de julho de
2004 |
Ministro defende pesquisas com embrião
SALVADOR NOGUEIRA
ENVIADO ESPECIAL A CUIABÁ
O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos,
declarou seu apoio às pesquisas com células-tronco
embrionárias no país e disse que o projeto da
Lei de Biossegurança, atualmente tramitando no Senado,
precisa ser modificado antes de sua aprovação.
As declarações foram dadas ontem, durante o
primeiro dia de conferências da 56ª Reunião
Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência),
que acontece em Cuiabá (MT).
"Há resistências localizadas contra a liberação
dessas pesquisas, essenciais para o desenvolvimento da ciência
brasileira. O MCT vai atuar firmemente em favor da liberação,
no que, tenho certeza, contará com o apoio da SBPC
e da Academia Brasileira de Ciências", disse o
ministro. "É preciso encontrar uma redação
que contente a todo mundo."
O projeto foi alterado de última hora em sua tramitação
na Câmara, para atender às bancadas evangélica
e católica, que se opõem totalmente à
pesquisa com células-tronco embrionárias. E
o governo quer vê-lo aprovado o quanto antes, pois sua
função primordial era regulamentar o plantio
e a comercialização de transgênicos no
país.
Em princípio, a votação no Senado deve
ocorrer em agosto. Mas não é improvável
que a aprovação fique para depois das eleições
municipais.
As famosas células-tronco embrionárias são
conhecidas por sua capacidade de se converter em diversos
tipos de tecido, oferecendo potencial tratamento a doenças
hoje incuráveis, como diabetes e males neurodegenerativos.
A polêmica toda gira em torno do fato de que, para serem
obtidas, essas células precisam ser extraídas
de um embrião, que é destruído no processo.
Uma emenda ao projeto da Lei de Biossegurança será
proposta pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) quando as
discussões recomeçarem. Redigida com o auxílio
de cientistas, ela deve estabelecer a legalidade das pesquisas
com células-tronco embrionárias, contanto que
elas sejam extraídas de embriões que seriam
descartados pelas clínicas de fertilidade.
Além da Lei de Biossegurança, Campos falou dos
grandes investimentos estratégicos do MCT para os próximos
anos. Eles incluem o desenvolvimento dos programas espacial
e nuclear e as pesquisas relativas ao Pantanal, ao cerrado
e à Amazônia.
"Ainda neste semestre, deverão ser retomadas as
obras de reconstrução do Centro de Lançamentos
de Alcântara, no Maranhão, possibilitando a retomada
do projeto do Veículo Lançador de Satélites
(VLS) e a assinatura de contratos para a utilização
de Alcântara em lançamentos internacionais."
"No programa nuclear, o principal objetivo é a
conclusão da construção do primeiro módulo
da unidade de enriquecimento de urânio da estatal Indústrias
Nucleares Brasileiras, em Resende (RJ), vinculada ao MCT."
Campos também anunciou o plano de investir R$ 15 milhões
até o final do ano em bolsas para a formação
de pesquisadores para estudos amazônicos.
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