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São Paulo, quarta-feira, 15 de setembro de 2004
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BIOSSEGURANÇA
Senado amplia uso de embrião para pesquisas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O relatório da Lei de Biossegurança, que tramita
no Senado, amplia a utilização de embriões
humanos para pesquisa.
O texto do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) permite que sejam
usados embriões produzidos por fertilização
in vitro e congelados, desde que sejam inviáveis e
tenham sido descartados para a reprodução humana.
A clonagem para fins reprodutivos é proibida
Num ponto que deve gerar polêmica, o relatório
afirma que é "permitida, para fins de pesquisa
e terapia", a utilização de células-tronco
embrionárias obtidas "por meio de técnica
de clonagem", não deixando claro se a clonagem
terapêutica -a produção por clonagem de
um embrião humano para a extração de
células-tronco- fica proibida.
Depois de um acordo firmado ontem, o relatório será
votado em conjunto hoje pelas três comissões
que analisam o tema -Assuntos Sociais (CAS), de Assuntos Econômicos
(CAE) e Constituição Justiça e Cidadania
(CCJ). Às 9h30, uma reunião de líderes
definirá os ajustes finais.
A utilização dos embriões para pesquisa
havia sido retirada da Lei de Biossegurança quando
o texto foi aprovado na Câmara. O tema foi excluído
devido à pressão da bancada de católicos
conservadores e evangélicos.
A representação dos religiosos, no entanto,
é pequena no Senado e, além disso, acadêmicos,
cientistas e representantes de laboratórios de pesquisa
apresentaram seus argumentos aos senadores nas últimas
semanas.
A primeira alteração foi realizada por Osmar
Dias (PDT-PR), que fez o relatório da Comissão
de Educação. Ele previa que embriões
congelados poderiam ser utilizados para a pesquisa.
Dos embriões, são retiradas as células-tronco,
que podem ser utilizadas para formar diversos tipos de tecido.
Esse tipo de célula é porque elas têm
grande potencial para contribuir no tratamento de doenças
degenerativas, como diabetes e mal de Parkinson.
No caso de fertilização in vitro, só
poderão ser utilizados os embriões inviáveis
para a reprodução. Também podem servir
para pesquisa os estoques congelados há três
anos ou mais ou aqueles que completarem esse período
de estocagem ao longo do tempo.
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