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12 de outubro de 2004 |
Morte do Super-Homem reacende o debate sobre as células-tronco
A morte do ator Christopher Reeve, um defensor da pesquisa
com células-tronco desde que um acidente o deixou confinado
em uma cadeira de rodas, promete reacender o debate sobre
um assunto que divide republicanos e democratas.
"Quero que volte a andar" disse John Kerry na sexta-feira,
pouco antes da morte do ator, durante o segundo debate presidencial.
O candidato se referiu a Reeve como um "amigo" e
deu seu exemplo para defender a pesquisa com células
embrionárias, condenada pelo Partido Republicano.
Reeve deixou no sábado uma "longa mensagem telefônica"
para o democrata Kerry, poucas horas antes de uma infecção
causar uma parada cardíaca que o levou ao coma irreversível.
"Era possível perceber o entusiasmo em sua voz
e ele estava emocionado com a relevância atingida pelo
debate das células-tronco", disse Kerry sobre
a mensagem.
Bush proibiu há três anos a utilização
de fundos adicionais para financiar a criação
de novas colônias de células-tronco. Os especialistas
apontam que sua decisão freou o avanço científico
em um campo que poderia ajudar a encontrar a cura de doenças
como o Alzheimer.
Mesmo assim, o fato de as células-tronco virem de
embriões humanos, levou os grupos religiosos americanos
a se oporem categoricamente a seu uso.
Reeve considerava a oposição dos republicanos
"uma violação da separação
entre Igreja e Estado no debate sobre o que fazer com esta
tecnologia emergente". O ator comparou em várias
ocasiões essa postura com a negação das
testemunhas de Jeová a aceitar transfusões sanguíneas.
Reeve, que encarnou o Super-Homem no cinema, confiava cegamente
em uma tecnologia e acreditava que poderia ajudar a superar
as limitações da condição humana.
Curiosamente, o Super-Homem que o levou à fama sobreviveu
à passagem do tempo porque conseguiu transcender essas
limitações. O "homem de aço"
que Reeve interpretou é imune às balas e está
livre das amarras da gravidade e da passagem do tempo.
O mito de Super-Homem contrasta brutalmente com o destino
de Reeve, que ficou totalmente paralisado ao cair de seu cavalo
em 1995. O ator assegurou que depois do acidente se tornou
em prisioneiro de um corpo que já não respondia
a seu espírito indomável.
Em declarações há dois anos, três
semanas antes de seu 50o. aniversário, Reeve afirmou
que voltaria a andar em seu aniversário.
Apesar do pouco progresso na luta com sua doença,
o ator travou uma incansável batalha em sua cadeira
de rodas.
Durante os últimos anos, ele tentou convencer os legisladores
dos diferentes estados a aprovar leis a favor da investigação
embrionárias sem levar em conta a postura oficial da
Casa Branca.
"Quero que as coisas caminhem rápido", afirmou
recentemente. "Não quero sair desta cadeira de
rodas quando tiver 75 anos... Não estou disposto a
me resignar a defender uma pesquisa que beneficiará
os outros quando eu já tiver morrido. Não sou
tão nobre".
A morte de Reeve joga mais lenha na fogueira em um já
acalorado debate que voltou à ordem do dia em junho
quando Nancy Reagan afirmou que era a favor do apoio governamental
à pesquisa com células-tronco. O apoio de vários
legisladores republicanos põe Bush em uma situação
ainda mais complicada.
O presidente americano assegura que apóia a pesquisa
com as células já existentes, mas o consenso
da comunidade científica aponta que essas células
estão muito contaminadas e não são úteis.
Os críticos da pesquisa com células-tronco
afirmam que a clonagem com fins terapêuticos poderia
levar à clonagem com fins reprodutivos.
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