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Terça, 19 de outubro de 2004 |
Ovário de gêmea ajuda mulher infértil
a engravidar
Uma mulher que se tornou infértil na adolescência
ficou grávida depois de receber um ovário sadio
de sua irmã gêmea. O transplante, o primeiro
desse tipo nos Estados Unidos, foi realizado em abril na cidade
de St. Louis. Logo depois que o procedimento foi completado,
a mulher anteriormente infértil começou a menstruar.
A pesquisa foi apresentada numa conferência da Sociedade
Americana de Medicina Reprodutiva, em Filadélfia.
Doação
Stephanie Yarber, de 25 anos, teve uma menopausa precoce
aos 14 anos, mas sua irmã gêmea idêntica,
Melanie Morgan, não. Melanie já tinha três
filhos e chegou a doar seus óvulos para que sua irmã
se tornasse mãe. Mas com o fracasso do tratamento,
ela doou um de seus ovários.
Numa operação de cinco horas no hospital St
Luke, médicos removeram o ovário e separaram
seu tecido exterior, que contém os folículos
produtores de óvulos.
Eles então enxertaram um pedaço desse tecido
em cada um dos ovários de Stephanie, enquanto reservaram
uma parte para o caso de os transplantes originais não
darem certo. Agora ela anunciou que está grávida.
Filhos mais tarde
Essa é a segunda vez que se divulga uma gravidez seguida
de um transplante de tecido ovariano. O risco de rejeição
era mínimo, porque gêmeas idênticas têm
os mesmos genes, aumentando as chances de sucesso da operação.
O médico Sherman Silber, que realizou a operação,
diz que o tratamento pode ser usado no futuro por mulheres
que se dedicam a suas carreiras e deixam para ter filhos mais
tarde.
"Nós não faríamos isso amanhã,
na semana seguine, ou no ano que vem. Mas isso demonstra que
é possível retirar um ovário, congelá-lo
e usá-lo mais tarde num transplante, quando as mulheres
tiverem cerca de 45 anos, quando já forem presidentes
de uma empresa, estiverem prontas para se aposentar e ter
filhos", disse.
Muitos especialistas concordam que o uso disseminado dessa
tecnologia ainda está muito longe.
Mutação
Este caso em particular pode responder algumas perguntas
sobre menopausa precoce. Ele vai permitir que cientistas comparem
genes da gêmeas e vejam se uma pequena mutação
genética foi responsável pela infertilidade
de Stephanie numa idade tão jovem.
Mas Richard Kennedy, secretário da Sociedade Britânica
de Fertilidade, alerta que o procedimento pode ser aplicável
apenas a um número pequeno de pessoas.
Ele também enfatizou que doar um ovário envolve
riscos. "Doar óvulos é mais simples e não
compromete o ovário", disse. "Se você
doar um ovário para uma irmã, isso vai acelerar
a menopausa. Se você tiver um cisto no ovário
restante, você pode se tornar infértil",
explicou.
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