Grupo produz linhagens de células-tronco
clonadas
Equipe que fez 1.ª clonagem
terapêutica produz embriões com células
compatíveis com pacientes
Washington - Cientistas sul-coreanos isolaram pela primeira
vez linhas de células-tronco embrionárias compatíveis
com o DNA de pacientes, numa conquista que classificaram como
um novo passo no caminho rumo ao transplante desse tipo de
células em seres humanos.
Em artigo publicado na revista Science, os cientistas da
Universidade Nacional de Seul afirmaram que as linhas celulares
permitirão o estudo em laboratório de tratamentos
para doenças como Parkinson, Alzheimer e diabete.
Doadores
O grupo de pesquisadores, liderado por Woo Suk Hwang, professor
de Citologia da Universidade Nacional de Seul, disse no estudo
que 18 mulheres doaram 185 óvulos especificamente para
fins de pesquisa.
Desses óvulos, 125 provieram de 10 mulheres com menos
de 30 anos. Para obter células somáticas, os
pesquisadores recrutaram 11 doadores, de ambos os sexos, de
entre 2 e 56 anos. Uma célula somática é
qualquer uma que faça parte do corpo, com a exceção
dos espermatozóides e dos óvulos.
Entre os doadores de células somáticas havia
pessoas com diabete juvenil, lesões de medula espinhal
e com uma deficiência imunológica genética
chamada hipogamaglobulinemia congênita, afirma o relatório.
Pluripotentes
Segundo Hwang, as células obtidas são normais,
de auto-renovação e pluripotentes, ou seja,
com capacidade de se transformar em outro tipo de células
com funções definidas, como as da retina, dos
músculos e do sistema gastrointestinal.
O grupo de pesquisadores sul-coreanos já fizera história
na pesquisa médica quando, há pouco mais de
um ano, anunciou a clonagem de uma linha de células-tronco
embrionárias.
11 linhagens
Os cientistas explicaram que criaram 11 novas linhagens de
células-tronco por meio da transferência de material
genético de uma célula não reprodutiva
de um paciente a um óvulo doado cujo núcleo
fora extraído.
Com este método, chamado "transferência
somática do núcleo celular", os óvulos
com o material genético do paciente cresceram e se
transformaram em blastócitos, etapa inicial do desenvolvimento
embrionário.
Depois disso, as células-tronco foram tiradas da massa
interna do blastócito.
Promessa
"Este estudo demonstra que se pode fazer com que as células-tronco
sejam específicas para cada paciente, não importa
seu sexo e idade, e que estas células são cópias
genéticas iguais às do doador", disse Gerald
Schatten, professor de pesquisas do Departamento de Obstetrícia,
Ginecologia e Ciências da Reprodução da
Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh.
"Se elas puderem ser usadas sem problemas em transplantes,
a promessa de um tratamento eficaz -e talvez até de
uma cura - de lesões e doenças devastadoras
está perto", afirmou.
Tolerância
A próxima etapa, segundo os autores, é a avaliação
em laboratório das linhagens de células-tronco
embrionárias específicas de um paciente para
determinar sua tolerância imunológica, a eficácia
terapêutica e a segurança.
Os cientistas disseram que as experiências iniciais
em laboratório mostraram uma compatibilidade imunológica
entre as células-tronco embrionárias e as células
de pessoas que proporcionaram o DNA de cada linha, o que sugere
que o corpo do paciente pode tolerar essas células
transplantadas.
Mas vários problemas de procedimento médico
ainda precisam ser resolvidos antes que as células-tronco
específicas para um paciente possam ser usadas, disseram.
Características da doença
Segundo os cientistas, as linhas de células-tronco
produzidas por pacientes com uma doença provavelmente
mostrem as características dessa doença, o que
tornaria inapropriado seu emprego no tratamento de outros
pacientes.
Além disso, os pesquisadores precisarão desenvolver
métodos para dirigir eficazmente a diferenciação
das células-tronco embrionárias.
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2005/mai/19/146.htm |