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Espermograma com Morfologia Estrita e Capacitação

1. ESPERMOGRAMA

O espermograma é o principal exame para avaliação da fertilidade masculina. Nesse exame, são avaliados inicialmente o volume, o pH e a liquefação do sêmen. Em seguida, avalia-se concentração, motilidade (movimentação) e morfologia (forma) dos espermatozóides.

O resultado do espermograma pode revelar alterações na concentração (oligozoospermia), na motilidade (astenozoospermia) e na morfologia (teratozoospermia) dos espermatozóides. Dessa forma, o espermograma orienta o médico em sua decisão sobre qual tratamento deve ser realizado.

Todo espermograma alterado deve ser repetido para se confirmar a alteração. Em casos de resultados discordantes, deve ser solicitado um terceiro espermograma. Pacientes com alteração do espermograma devem ser encaminhados ao urologista para avaliação e exame clínico.

A fertilização in vitro pela técnica de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóide) é considerada a melhor alternativa de tratamento nos casos de infertilidade por fator masculino. Entretanto, a decisão sobre o tipo de tratamento a ser realizado dependerá principalmente da gravidade das alterações observadas no espermograma e da idade da mulher.

2. MORFOLOGIA ESTRITA

A análise da morfologia pela técnica de Krüger (morfologia estrita) consiste em uma análise detalhada das características dos espermatozóides após coloração específica, sob aumento de 1500 vezes. Em muitos casos onde não se descobre uma causa de infertilidade no casal, a realização da morfologia estrita de Krüger possibilita o diagnóstico de um fator masculino oculto de infertilidade.

De acordo com a porcentagem de espermatozóides considerados normais, o médico poderá decidir sobre a melhor forma de tratamento. A análise morfológica é considerada normal quando mais de 14% dos espermatozóides analisados mostram-se normais pelos critérios de Krüger. Se 10 a 14 % de espermatozóides são normais, a teratozoospermia é considerada leve e de melhor prognóstico, podendo-se optar pela inseminação intra-uterina em casos selecionados. Se 5 a 9% de espermatozóides são normais, a teratozoospermia é considerada moderada. Se a morfologia revelar menos de 5% de espermatozóides normais, trata-se de teratozoospermia severa, estando indicada a ICSI.

3. CAPACITAÇÃO ESPERMÁTICA

Os espermatozóides sofrem modificações estruturais em sua membrana plasmática após contato com o muco cervical e penetração na cavidade uterina. Essas modificações possibilitam aos espermatozóides adquirirem motilidade hiperativa, fundamental no processo de penetração do espermatozóide no oócito, sendo esse processo denominado capacitação espermática.

A capacitação espermática pode também ser obtida in vitro após contato com substâncias presentes nos meios de cultivo. As técnicas de capacitação espermática têm como objetivos, além da própria capacitação, remover o plasma seminal, células mortas, debris e contaminantes presentes no sêmen, e selecionar os melhores espermatozóides. Em nosso laboratório, a capacitação dos espermatozóides é realizada através das técnicas de “swim-up” e de gradiente descontínuo coloidal.

Na técnica de “swim-up”, o sêmen é depositado no fundo de um tubo de ensaio e coberto por uma pequena quantidade de meio de cultura. Os melhores espermatozóides se desprendem e nadam para a superfície (para cima). Após um período de 30 a 60 minutos, retira-se o sobrenadante, o qual contém os espermatozóides capacitados que conseguiram chegar à superfície. Esse material pode ser utilizado para realização de técnicas de reprodução assistida (inseminação intra-uterina, fertilização in vitro ou ICSI).

Na capacitação pela técnica de gradiente descontínuo coloidal, o princípio básico é a força centrífuga responsável pela passagem dos espermatozóides através de duas camadas de uma substância coloidal com diferentes concentrações. Essa técnica tem como objetivo reter espermatozóides mortos, células redondas e debris, deixando passar apenas os melhores espermatozóides. Após lavagem com meio de cultura para a retirada da substância coloidal e diluição em meio de cultura apropriada, o material pode ser utilizado para realização de técnicas de reprodução assistida (inseminação intra-uterina, fertilização in vitro ou ICSI).

O número de espermatozóides recuperados após a capacitação auxilia o médico na escolha da técnica de reprodução assistida mais apropriada para o casal. Não se deve realizar a inseminação intra-uterina quando houver menos de dois milhões de espermatozóides com boa motilidade após a capacitação, devido aos índices de sucesso extremamente baixos. Quando menos de 1 milhão de espermatozóides com boa motilidade são recuperados após capacitação, a ICSI é a técnica mais indicada.